domingo, 12 de julho de 2009



Ainda tentando subir a escada rolante pelo lado errado...

Crônica de Lya Luft:
http://veja.abril.com.br/010709/p_026.shtml


domingo, 5 de julho de 2009

Por trás do vidro da janela ela podia ver a água escorrendo vagarosamente pelo tronco da árvore. Borboleta? Antes mariposa, pensou. Cada pássaro faça seu ninho, cada animal tenha sua toca. E seu filho, quando virá? Dentre as perguntas sem respostas e assertivas sem certezas, decidiu parar de pensar. Assim mesmo, estacada, feito poste de concreto em meio a vendaval. Tudo e todos girando freneticamente ao seu redor; uma vida se tornando incômodo e lamentação. Não pensaria mais nada. Até ter vontade de. Novo. E desse modo, imóvel, permaneceu por longos e intermináveis dias, até ser chamada de volta ao tormento.
O centro do vendaval é composto por forças muito além do imaginável. São centrífugo-trípeto-tríturos vetores e amores; forças, oscilações e turbulências oriundas em ângulos de todos os graus. No entorno, passam em hélice espiral milhares de objetos, partículas de poeira, ácaros, familiares e o filme de sua vida. Que não consegue assistir devido à velocidade em que se move. E não precisa. Já o conhece.
A gota que escorre no vidro é translúcida, não transparente. Carrega consigo o pó de milhares de metros de altura, a vida de inúmeros insetos, os gases de toda uma atmosfera. Essa gota traz vida e morte; além de tudo, transformação. Ela observa.